segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lapa: onde tudo começa, ou termina.

Bom dia galera. Estava pensando em algum tema cotidiano para postar e fiz uma pesquisa no HD que "Deus" me  deu, então o cenário que mais veio a tona não podia ser outro.
Meu primeiro contato com a Lapa foi aos 14 anos, onde o tive a experiência de morar num Flat por 6 meses em um caráter provisório, sozinho. Nesse momento tive medo e não sai do apartamento. Tinha morado quase toda a minha infância na Barra da Tijuca - quanto contraste. No ano 2000 a Lapa ainda era bem diferente do que é hoje em dia. Aquelas imanges ficaram na minha cabeça, um bairro onde as pessoas bebiam bastante todos os dias e em que eu ia pra colégio dando bom dia aos travestis.
Mas o meu contato mais próximo com a Lapa se fez 2 anos depois e perdura até hoje e provavelmente permanecerá por muito tempo. De lá pra cá o bairro sofreu muitas transformações, não pagávamos tão caro na breja e também não víamos tantas viaturas. Embora já existisse a tradição das sextas-feiras (essa que foi dissolvida, por não lotar apenas nas sextas), o lugar era bem mais inóspito e até um tanto quanto sombrio, mas não menos mágico.
Joaquim Silva testemunhando pequenos shows para um público bem peculiar, pessoas de todos os bairros e de variadas classes sociais, quase todos com o objetivo de escutar o artista da rua e alterar seu estado de sobriedade de maneiras não menos variadas. Aquela adrenalina no sangue fruto do perigo oferecido pelos batedores de carteira, em minha opinião, não tirava o encanto da localidade. Próximo do que rola nos dias de hoje, nesse tempo, que eu lembre, só na Fundição Progresso trazendo figuras respeitadas no cenário alternativo. Vez em quando eventos gratuitos em frente aos arcos abrilhantavam o cartão postal mais democrático da cidade.
Alguns anos se passaram, muitas coisas mudaram (mas muitas mesmo!!!) as pessoas se multiplicaram, a mídia passou a dar muita atenção e perdemos o caráter espontâneo da tão peculiar Joaquim Silva, porém ganhamos uma infinidade de eventos de maior porte que, indubitavelmente, tem papel fundamental na produção cultural não só do Rio de Janeiro como no Brasil inteiro.
Embora encontremos as casas repletas sem termos chegado as 22:00, ainda tenho o bairro como referência de uma saída para se divertir. Quanto ao perigo, não sei se diminuiu, as possibilidades de alteração do funcionamento natural da mente escassearam, as opções de entretenimento aumentaram, também inflacionaram. O caráter democrático, característica mais importante da vida noturna no bairro, hoje vive um paradoxo. Embora ainda encontremos pessoas de todos os lugares e classe, estão com os seus lugares delimitados pelas regras monetárias. Não precisa ser nenhum sociólogo pra perceber a diferença entre as Lapas dos depósitos e da Lavradio.
Contudo, a identidade do verdadeiro carioca tem a cara da Lapa. Não conheço outro lugar onde podemos numa única noite curtirmos Samba, Funk, Rap, Música Latina, Hip Hop, MPB, Rock'n Roll e seguindo a lógica do mercado até Sertanejo; pagarmos R$ 0,50 numa lata de cerveja e também R$ 5,00 numa lata de cerveja; matarmos uma barata na porta de um estabelecimento que cobra R$ 60,00 SECO!!!
Salve o Circo Voador, Democráticos, Fundição Progresso, Punto Latino, Asa Branca, Beco do Rato e porque não o Lapa 40° e o Rio Scenarium, salvem o Mangue Seco, Bar Brasil, o antigo cachorro quente da Kombi de R$ 1,00 e também o Manoel e Joaquim; salve Joaquim Silva, Riachuelo, Mem de Sá, Gomes Freire e também a Lavradio. Salve o verdadeiro carioca, salve o lapense!!!

Sugestão de Música: Fogo na Bomba - De menos crime
Sugestão de Filme: Edifício Master



14 comentários:

  1. Concordo com (quase) tudo o que vc disse. Apesar de ter começado a curtir a Lapa tardiamente, lembro dessa época meio sombria ainda (justamente por isso não passava mto por lá), porém, essas viaturas todas, lugares caros e patricinhas pra lá e prá cá com seus saltões não me agradam muito não...

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  2. Vejo a riqueza da lapa justamente nesse contraste de cerveja de 0,50 e 6 conto, mendigo pedindo dinheiro pra playboy, global dividindo espaço com motoboy, pizza entre 1 e 20 reais. Gosto do caos.
    Maior policiamento só me deixa mais tranquilo, por incrível que pareça. É muito saudosismo dizer que a lapa era melhor com o risco iminente de perder a carteira ou o celular pelo simples fato de ser menos policiada. "Mas aí tu tem que ser esperto!", pois é... É a "lapa moleque, lapa de várzea", visão muito romântica de um bairro que era extremamente segmentado e inacessível. É mérito se orgulhar do desconforto da lapa antiga, estranho.
    A "moda da lapa" só me trouxe benefícios. Tem todos os tipos de transporte a qualquer hora, estacionamento aparentemente seguro, "praça de alimentação", mais casas de shows, alimentação variada e conforto.

    Só me desagrada o excesso de fiscalização, matou os trash food que alegrava a garotada no fim de noite (ou inicio do dia).


    Essa é a visão de um cara que frequentou por muito tempo o "garage de várzea" e tá acostumado com o caos.

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  3. Eu sinto muita falta disso.... sair de bobeira, sem intenção de ir a um lugar especifíco, apenas para tomar umas... e após algumas e de acordo com o clima do momento entrar em algum lugar. Ou então... ficar mesmo pela rua... ou então voltar para a casa. E a Lapa é o único lugar no rio que você pode fazer isso.


    Salve a Lapa !

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  4. Mudanças quase sempre produzem reflexos tanto positivos quanto negativos, e na Lapa não poderia ser diferente. A questão da segurança pública deve ser debatida, pois além de sanar alguns problemas, também CRIOU novos problemas. Pra quem é frequentador da Lapa, estórias de agressão aos frequentadores e (mais ainda) aos ambulantes - que garantiam o feijão com arroz da família vendendo cerveja para o público - por parte da Guarda Municipal são corriqueiras.

    Mas não podemos deixar de enaltecer a diversidade cultural que a Lapa se tornou palco. Agora contamos com apresentações de músicos, atores, dançarinos eartistas de outras cidades, estados, países e continentes semanalmente. Isso é maravilhoso! É o lado bom da tal globalização, que felizmente se mostra possível dentro desse bairro de tantas tradições.

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  5. Obrigado pelos comentários, a budega tá começando a funcionar.

    Pê se meu texto pareceu saudosista não foi essa a minha intenção. Mandei um salve até pro Lapa 40°, curti a Lapa moleque e curto a Lapa da moda. Também não sei se o comentário foi direcionado ao texto. Mas é claro que vale ressaltar a falta de um policiamento efetivo, ocorrências de furtos ainda permanecem, será que para os policiais é mais vantajoso olhar pra isso? Não da pra levar um qualquer prendendo pivete, muito pelo contrário perde tempo de abordar "aqueles que ficam de baixo de nuvens". Agora sem dúvida a moda Lapa gerou muitos benefícios para o bairro e o principal deles foi o fato de deixar de ser o bairro segmentado, o bairro dos malandros como você mencionou

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  6. Você realmente começou a curti a lapa muito tarde, mais vc disse coisas muito certas, e entre outras dois pontos que deveria acabar na lapa, mais isso nunca irá acabar é a violenci a o transtorno gerado pelos veiculos, mais uma coisa é certa a LAPA é sempre a LAPA, todas as tribos se encontram aki todos as SEXTAS e SABADOS...

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  7. Na verdade foi uma crítica aos saudosistas pseudo-maconheirinhos-lapeiros-sapatenis que sempre metem essa de "lapa agora ta caída, cheia de polícia...", nunfode. Nada relacionado texto, só aproveitei o gancho e estendi o meu mimimi. hehehe

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  8. Acho q não teria tema melhor q a Lapa!!! Vc teve muita sorte em poder acompanhar essa transformção da lapa de perto...

    A Lapa sempre será referência pra "nós"!!!

    Por falar nisso, Partiu Lapa sexta????

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  9. Acho que a partir do momento que ta todo mundo pisando no mesmo paralelepipedo barrento, escaldamos com os mesmos ratões e comemos os mesmos podrões, todo mundo é igual na Lapa.
    Lá dentro é bonito, é feio, é sujo, é limpo. Mas se sair, amigo, a rua é a mesma pra todos! E o que não é a Lapa senão calçadas e vielas?!
    Nas ruas da Lapa um mendigo, um playboy e um funkeiro trocam a mesma idéia!
    L.A.P.A

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  10. Depois das 3 da manhã doidão até na Rua das Pedras em Buzios as Patricinhas trocam idéia com os minhocas.
    Como também existe segregação dentro de uma comunidade.
    Mas posso entender que na Lapa as pessoas se misturam um pouco mais.
    Obrigado pela participação L.A.P.A

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  11. Não tava assinando com L.A.P.A não primo! hahahaha

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  12. Nunca vou entender esse fenômeno..Um lugar onde todos têm medo de passar durante o dia, mulheres segureando suas bolsas mais fortemente, homens correndo, crianças gritando...
    E qd o sol se despede.. rs...
    Bem, ele da lugar a um cartão postal...
    Pqp td gringo quer ir a Lapa.
    hauhauahauhaua
    Eu já não sou tão frequentadora assim!
    hehe

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