segunda-feira, 6 de junho de 2011

A evolução (?) das relações sociais.


A pretensão deste post é chamar a atenção para a diferença de como nos relacionamos com as pessoas com o passar do tempo. A diferença de permissividade, intenções, fatores de atração e o próprio desenrolar das relações.
Quando começamos a nos entender enquanto seres humanos precisamos de nos estabelecer perante aos inéditos contextos sociais, fora do ambiente familiar. Fatores como força, jogar bem futebol, fazer merda, notas boas sem ser nerd  ou ser mais bonito são adjetivos importantes para garantir o respeito nesse circuito.
Depois chegamos ao momento de aceitação, a liberdade que se ganha com o passar do tempo faz com que seu horizonte se amplie e mediante os contextos variados e novos te fazem estarem abertos e diminuímos nossos preconceitos. Acho que um marco significativo dessa época é o ingresso numa faculdade. Você  lida com pessoas diferentes, com realidades diferentes, com estilos diferentes, com pensamentos diferentes, em suma cada pessoa é um universo que vão conviver num mesmo espaço por um bom tempo. Isso propicia uma maior aceitação, pois a ambiente é estranho pra todos e se rotular, ou rotular os que cercam pode determinar uma exclusão não muito conveniente com o passar do tempo. Nessa época experimentamos as programações e as companhias mais variadas possíveis, principalmente pra quem estuda (ou) em uma universidade.
Depois dessa época é que identifico o problema. Chega um momento em que a pessoa tem que “Dizer pra que veio”, você não é mais criança, nem adolescente, precisa garantir seu espaço na sociedade. Espaço este que não é mais democrático como era na época anterior. O espaço social que muitas vezes é confundido com o espaço no mercado de trabalho. Vou tentar me explicar citando um exemplo ficcional – numa mesa de bar quando chega uma pessoa que é amiga de um dos integrantes da mesa, na época anteriormente mencionada isso é visto com simpatia, existe uma curiosidade com relação às novidades, as pessoas são abertas; nessa época agora descrita independente do nível de amizade que se tenha com a pessoa, que no caso é a amiga da desconhecida, é inevitável um tratamento mais frio e um ar de desconfiança. Já fica evidente a curiosidade de saber coisas como, em que ela trabalha, onde mora, o que costuma fazer, o famoso “Dizer pra que veio”. E quando quanto mais os espaços sejam particulares, mais essa hostilidade é evidente.
Não estou aqui defendendo aquela super exposição de dividir seus momentos com pessoas que mal conhecemos, acho super natural que com o passar do tempo seu vínculo se torne mais restrito, até porque quando mais novos temos mais disposição e tempo pra novas interações sociais. Mas gostaria de destacar o comportamento hostil com as novas interações sociais e seus critérios altamente materialistas para as “aberturas de portas”. Com o tempo as relações passam a ser rodeadas por interesses mercadológicos, ou meramente relacionadas ao status, o que é algo lamentável.
Defendo o resgate de uma ingenuidade que não quero extinguir da minha vida, pois uma vez que se perde essa abertura espontânea trocando por filtros tão mesquinhos, a vida vai perdendo a cor, as coisas passam a ser sempre iguais, não evoluímos estagnando na proteção do que possuímos o que é pouco. Acredito no ser humano, acredito que existam pessoas que têm muito a acrescentar em todas as classes, acredito que possamos ser mais abertos, destemidos, até certo ponto ingênuos, acredito que a sociabilidade estimulada é o caminho para uma verdadeira evolução. O individualismo é um mecanismo de defesa ilusório, que com o passar do tempo acaba te consumindo através da solidão.


Sugestão de Música: Diploma - De Leve
Sugestão de Filme: O cheiro do Ralo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Da estrutura de onde queres

 Se do céu cai chuva
Então me enterro no edredon
Se o despertador grita
Então não creio
Se ando pelo gueto
Então sou irmão
Se demoro pra chegar
Então vou pro Recreio
Se somos brasileiros
Então não entendo
Se estou no podrão
Então me lambuso
Se boto a calça Jeans
Então me aperto
Se a cerveja está gelada
Então me afogo
Se a conversa está animada
Então não durmo
Se perco o sono
Então amo
Se encontramos a multidão
Então tenho saudade
Se perco a voz
Então é gol do Mengão
Se vejo a criança sorrir
Então me emociono
Se vejo o falso malandro
Então me emputesso
Se grito minhas críticas
Então me exponho
Se insisto nelas
Então fico chato
Se quero ser chato
Então não paro mais
Se gargalho sozinho
Então estou lembrando
Se fico bastante tempo sem dormir
Então trabalhando
Se peço silêncio
Então toca Caetano
Se escuto alguém falar de futebol
Então é Armando
Se estou com fome
Então viro uma jibóia
Se estou com preguiça
Deixa pra hora de sair, o banho
Se estou muito quieto
Então não estou sóbrio
Se perdi o sono de novo
Então estudando
Se alguma hora enlouqueci
Então precisei

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Depoimento de um antitabagista que frequenta a área dos fumantes


 Galera o objetivo desse post é, fundamentalmente, discutir o que leva uma pessoa a começar a fumar e a maneira - as vezes aceita e outras não - de encaixe dela em um ambiente coletivo . Não, isso aqui não é uma campanha (existe uma campanha nazista condenando os fumantes, eu sei) contra os fumantes, mas sim uma real busca pela resposta.
Acho que a principal influência, como para a maioria dos hábitos que se adquire, advêm dos pais. Porém enquanto crianças (sabias que são): criticam, tomam o cigarro, enchem o saco dos pais os condenando o hábito e no fim das contas acabam aderindo.
Outra explicação contundente é necessidade que o adolescente tem de se inserir em determinado grupo e/ou se destacar do lugar comum. Uma auto-afirmação, a busca de um charme, um diferencial, a busca incessante por códigos de aceitação.
Também existem aqueles que aderem tardiamente, pra esses só consigo vincular a uma falsa sensação de dormência para uma profunda dor, ou simplesmente um falso remédio para a ansiedade.
Por fim os que fogem da minha capacidade de compreensão, os tão famosos e famigerados que fumam quando bebem (Putz!!!).
A bateria de estímulos característica de uma cidade pode atormentar o psico do ser humano: buzina, gritos, barulho de todos os tipos, muitas pessoas no seu caminho, hora certa pra tudo, compromissos, engarrafamento, pressão, toques de telefone, toques do seu telefone (cansei só de pensar) torna compreensível a permissão que as pessoas se dão para fumar um cigarrinho. O cigarro funciona como um cronômetro é o tempo que o ser humano se permite: ter um pouco de paz, pensar em coisas particulares, ou não pensar em nada simplesmente, mas fundamentalmente o refúgio, um abrigo que o proteja do frenético úrbio (me permito escrever sobre o ambiente a que pertenço).
E tem, também, a reunião dos fumantes, a comunhão. Aquela fugidinha pra fumar um cigarrinho com o seu companheiro de hábito, onde se aproveita para um bate papo amistoso, uma paquera, um ambiente paralelo ao seu entorno. Esse ambiente paralelo é que motivou o título do post, depois que fizeram a lei dos fumantes, percebi que me identifico com esse ambiente. Depois de inúmeras vezes em que se debandaram todas as pessoas das quais gosto de conversar para a área dos fumantes. Das vezes em que ia ficando sozinho tinha de ir garantir a minha tentativa de câncer no pulmão, ou um enfisema como fumante passivo nas áreas dos fumantes, mas o que mais me intrigou foi às vezes em que não fui pelo motivo óbvio de detestar cigarro e me vi diante de um ambiente inócuo, sem assunto.
O que ouve com vocês? Os que ficaram na ambiente normal, não fumam, mas também não bebem e também parece não ter assunto (claro que não estou rotulando ninguém, falo a partir de empiria, aconteceu um sem número de vezes isso), ou bebem pouco por estarem num bar, mas não tem assunto, ou estamos falando mal de cigarro, mas isso só dura 2 minutinhos. “Valeu galera vou dar um pulo lá pra tomar conta da minha muié, rsrsrsrsrsr”. E lá vou eu para área dos fumantes, onde encontro descontração, assuntos interessantes, risadas e muita fumaça (PQP).
Meus pêsames por virarem escravos de algo tão ofensivo, vão pro inferno por me gerarem propensão a diversas doenças e parabéns por inventarem o chill out do cotidiano urbano.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lapa: onde tudo começa, ou termina.

Bom dia galera. Estava pensando em algum tema cotidiano para postar e fiz uma pesquisa no HD que "Deus" me  deu, então o cenário que mais veio a tona não podia ser outro.
Meu primeiro contato com a Lapa foi aos 14 anos, onde o tive a experiência de morar num Flat por 6 meses em um caráter provisório, sozinho. Nesse momento tive medo e não sai do apartamento. Tinha morado quase toda a minha infância na Barra da Tijuca - quanto contraste. No ano 2000 a Lapa ainda era bem diferente do que é hoje em dia. Aquelas imanges ficaram na minha cabeça, um bairro onde as pessoas bebiam bastante todos os dias e em que eu ia pra colégio dando bom dia aos travestis.
Mas o meu contato mais próximo com a Lapa se fez 2 anos depois e perdura até hoje e provavelmente permanecerá por muito tempo. De lá pra cá o bairro sofreu muitas transformações, não pagávamos tão caro na breja e também não víamos tantas viaturas. Embora já existisse a tradição das sextas-feiras (essa que foi dissolvida, por não lotar apenas nas sextas), o lugar era bem mais inóspito e até um tanto quanto sombrio, mas não menos mágico.
Joaquim Silva testemunhando pequenos shows para um público bem peculiar, pessoas de todos os bairros e de variadas classes sociais, quase todos com o objetivo de escutar o artista da rua e alterar seu estado de sobriedade de maneiras não menos variadas. Aquela adrenalina no sangue fruto do perigo oferecido pelos batedores de carteira, em minha opinião, não tirava o encanto da localidade. Próximo do que rola nos dias de hoje, nesse tempo, que eu lembre, só na Fundição Progresso trazendo figuras respeitadas no cenário alternativo. Vez em quando eventos gratuitos em frente aos arcos abrilhantavam o cartão postal mais democrático da cidade.
Alguns anos se passaram, muitas coisas mudaram (mas muitas mesmo!!!) as pessoas se multiplicaram, a mídia passou a dar muita atenção e perdemos o caráter espontâneo da tão peculiar Joaquim Silva, porém ganhamos uma infinidade de eventos de maior porte que, indubitavelmente, tem papel fundamental na produção cultural não só do Rio de Janeiro como no Brasil inteiro.
Embora encontremos as casas repletas sem termos chegado as 22:00, ainda tenho o bairro como referência de uma saída para se divertir. Quanto ao perigo, não sei se diminuiu, as possibilidades de alteração do funcionamento natural da mente escassearam, as opções de entretenimento aumentaram, também inflacionaram. O caráter democrático, característica mais importante da vida noturna no bairro, hoje vive um paradoxo. Embora ainda encontremos pessoas de todos os lugares e classe, estão com os seus lugares delimitados pelas regras monetárias. Não precisa ser nenhum sociólogo pra perceber a diferença entre as Lapas dos depósitos e da Lavradio.
Contudo, a identidade do verdadeiro carioca tem a cara da Lapa. Não conheço outro lugar onde podemos numa única noite curtirmos Samba, Funk, Rap, Música Latina, Hip Hop, MPB, Rock'n Roll e seguindo a lógica do mercado até Sertanejo; pagarmos R$ 0,50 numa lata de cerveja e também R$ 5,00 numa lata de cerveja; matarmos uma barata na porta de um estabelecimento que cobra R$ 60,00 SECO!!!
Salve o Circo Voador, Democráticos, Fundição Progresso, Punto Latino, Asa Branca, Beco do Rato e porque não o Lapa 40° e o Rio Scenarium, salvem o Mangue Seco, Bar Brasil, o antigo cachorro quente da Kombi de R$ 1,00 e também o Manoel e Joaquim; salve Joaquim Silva, Riachuelo, Mem de Sá, Gomes Freire e também a Lavradio. Salve o verdadeiro carioca, salve o lapense!!!

Sugestão de Música: Fogo na Bomba - De menos crime
Sugestão de Filme: Edifício Master



quinta-feira, 31 de março de 2011

O sexo na contemporaneidade,

Começar um blog pra debates de assuntos variados falando de sexo é ótimo né...
...nada apelativo, por favor.

A luta iniciada pelas mulheres das décadas de 60 e 70, com a popularização das pílulas anticoncepcionais e a inserção delas no mercado de trabalho, proporcionou, inevitavelmente, uma liberdade na prática do sexo para o gênero.
Aquilo que era mal visto perante a sociedade passou a ser cada vez mais normal. Nesse gancho que gostaria de opinar perante algo muito importante que se banalizou ainda mais. O sexo casual deixou de ser algo vinculado ao gênero masculino gerando certa falta de sentido em tal ato.
Não me proponho a fazer um discurso moralista - muito pelo contrário, sou defensor da liberdade sexual - porém chamo atenção para o uso desta.
Acho que perdemos a magia do desafio, pois o sexo passou do normal para o banal. A conquista tem seu tempo, suas etapas, porém vivemos um mundo um tanto quanto imediatista, temos contato com muitas pessoas num curto período de tempo e a prática do sexo deixou de ser a conquista para ser uma mera etapa de uma série de questões racionais que permitem ou não a continuidade do processo de envolvimento.
O resultado disso é um sexo mais mecânico, menos íntimo, menos mágico, menos intenso. As meninas nas primeiras vezes (convenhamos) não atingem o orgasmo (muitas nem seguintes) e os meninos (muitos não contam) cada vez mais tomando remédios pra garantir a ereção com pouquíssima idade, podendo prejudicar assim a própria saúde.
Em suma, acho que de tantos costumes - antes masculinos - absorvidos pela mulher no corte temporal feito por mim,  absorveram também o pior deles que é a banalização do sexo. Tornando assim algo mais fácil, porém infinitamente menos prazerosos. Sinto saudade dos meus 16 anos quando isso era algo mais desafiador.
Não acho que transar na primeira vez seja errado, ou sempre ruim, pode acontecer de rolar. Mas não acho que se atinja esse nível de intimidade de modo tão imediato.



Sugestão de música: Cry Baby - Janis Joplin
Sugestão de filme: Antes do pôr do Sol