A pretensão deste post é chamar a atenção para a diferença de como nos relacionamos com as pessoas com o passar do tempo. A diferença de permissividade, intenções, fatores de atração e o próprio desenrolar das relações.
Quando começamos a nos entender enquanto seres humanos precisamos de nos estabelecer perante aos inéditos contextos sociais, fora do ambiente familiar. Fatores como força, jogar bem futebol, fazer merda, notas boas sem ser nerd ou ser mais bonito são adjetivos importantes para garantir o respeito nesse circuito.
Depois chegamos ao momento de aceitação, a liberdade que se ganha com o passar do tempo faz com que seu horizonte se amplie e mediante os contextos variados e novos te fazem estarem abertos e diminuímos nossos preconceitos. Acho que um marco significativo dessa época é o ingresso numa faculdade. Você lida com pessoas diferentes, com realidades diferentes, com estilos diferentes, com pensamentos diferentes, em suma cada pessoa é um universo que vão conviver num mesmo espaço por um bom tempo. Isso propicia uma maior aceitação, pois a ambiente é estranho pra todos e se rotular, ou rotular os que cercam pode determinar uma exclusão não muito conveniente com o passar do tempo. Nessa época experimentamos as programações e as companhias mais variadas possíveis, principalmente pra quem estuda (ou) em uma universidade.
Depois dessa época é que identifico o problema. Chega um momento em que a pessoa tem que “Dizer pra que veio”, você não é mais criança, nem adolescente, precisa garantir seu espaço na sociedade. Espaço este que não é mais democrático como era na época anterior. O espaço social que muitas vezes é confundido com o espaço no mercado de trabalho. Vou tentar me explicar citando um exemplo ficcional – numa mesa de bar quando chega uma pessoa que é amiga de um dos integrantes da mesa, na época anteriormente mencionada isso é visto com simpatia, existe uma curiosidade com relação às novidades, as pessoas são abertas; nessa época agora descrita independente do nível de amizade que se tenha com a pessoa, que no caso é a amiga da desconhecida, é inevitável um tratamento mais frio e um ar de desconfiança. Já fica evidente a curiosidade de saber coisas como, em que ela trabalha, onde mora, o que costuma fazer, o famoso “Dizer pra que veio”. E quando quanto mais os espaços sejam particulares, mais essa hostilidade é evidente.
Não estou aqui defendendo aquela super exposição de dividir seus momentos com pessoas que mal conhecemos, acho super natural que com o passar do tempo seu vínculo se torne mais restrito, até porque quando mais novos temos mais disposição e tempo pra novas interações sociais. Mas gostaria de destacar o comportamento hostil com as novas interações sociais e seus critérios altamente materialistas para as “aberturas de portas”. Com o tempo as relações passam a ser rodeadas por interesses mercadológicos, ou meramente relacionadas ao status, o que é algo lamentável.
Defendo o resgate de uma ingenuidade que não quero extinguir da minha vida, pois uma vez que se perde essa abertura espontânea trocando por filtros tão mesquinhos, a vida vai perdendo a cor, as coisas passam a ser sempre iguais, não evoluímos estagnando na proteção do que possuímos o que é pouco. Acredito no ser humano, acredito que existam pessoas que têm muito a acrescentar em todas as classes, acredito que possamos ser mais abertos, destemidos, até certo ponto ingênuos, acredito que a sociabilidade estimulada é o caminho para uma verdadeira evolução. O individualismo é um mecanismo de defesa ilusório, que com o passar do tempo acaba te consumindo através da solidão.
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